Rita Sommer design, 2016

 

Restaurante Santa Rita

Em 1962 foi inaugurado o primeiro restaurante e a primeira pousada de Paraty. Os herdeiros dizem que a população da cidade veio na porta para parabenizar os proprietários pelo feito histórico. Pode -se dizer que através do surgimento do restaurante e da pousada , a cidade que muitos artistas começaram a frequentar Paraty. Pessoas famosas como Maria Della Costa, que em 1965 comemorou os seus 50 anos de idade, e a artista plástica Dijanira da Motta e Silva são algumas das muitas que passaram pelo casarão. O ator Arduíno Collassanti, o diretor de cinema Nelson Pereira dos Santos, o produtor de teatro e criador do teatro de rebolado Zilco Ribeiro são outros registros que a Santa Rita mantém na memória. A cantora Nara Leão, por exemplo, autografou uma nota de 10 cruzeiros para um dos filhos dos donos da pousada; a atriz Sonia Braga e o cantor e compositor Chico Buarque de Holanda também eram assíduos no local. Aliás, em 1978, Chico Buarque tomou muita caipirinha, conhaque e comeu camarão paulista, e, depois, queria comprar a coleção de relógios de parede antigos, que até hoje decoram o restaurante Santa Rita. Ele estava acompanhado de sua mulher na época, Marieta Severo, que estava grávida. Paulo Autran foi outro grande cliente da pousada e restaurante. Tinha uma mesa cativa na porta que da vista para a serra, onde à noite sopra um vento gostoso. Ainda na década dos anos 1960, o historiador e pesquisador Heitor Gurgel Edelweiss Campos do Amaral morou por oito anos, no quarto de número cinco, onde escreveu o livro “Paraty, Caminho do Ouro (Subsídios para a história do estado do Rio)”, lançado no Rio de Janeiro, em 1973, que retrata as primeiras tribos indígenas e os primeiros portugueses que chegaram à cidade. Foi ideia desse ilustre hóspede, que se tornou amigo da família, que os donos da Santa Rita também se tornaram colecionadores de móveis antigos filetados. O casal foi o dono do primeiro antiquário de Paraty. Os móveis servem até hoje de objetos de decoração dos quartos e do restaurante. O senhor Joaquim, era tímido, mas tinha o costume de escolher um dos clientes cativo da casa, juntar-se a ele, na mesa, e tocar violão ou violino. Assim, descontraía o ambiente e ninguém reclamava se o prato demorasse para ser servido. Ele revezava bem com a mulher, dona Conceição, que sozinha na cozinha preparava e servia quase que ao mesmo tempo todos os pratos. Ele era o showman e ela o cérebro da casa.